Gerenciando conflitos
Prof. D. Marco Antonio Gioso
Sua
clínica, petshop, ou negócio tem
conflitos internos? Será que na sua família
eles existem? De quem é a culpa?
Existem disciplinas relativas ao tema na USP,
em Harvard e em diversas escolas. Se há
disciplinas sobre isto, o assunto é demais
relevante.
Há diversas maneiras
de abordar o tema, desde o ponto de vista psicológico,
de caráter, hierarquia, tipo organizacional,
estilos empreendedores, tipo de chefes, maneiras
empíricas ou leigas. O mais importante:
não existe negócio sem conflito.
É inerente ao ser humano. Não há
como fugir dele, mas há como amenizá-lo.
Eu afirmo: você tem conflito no seu negócio,
e talvez ao enxergue!
Quando pergunto no começo
de nossos treinamentos sobre a culpa de um conflito
real, que aconteceu na semana ou mês, com
um participantes, em 90% das vezes ela recai no
outro. Difícil é alguém aceitar
a culpa, chamar para si!
Pesquisas indicam: os que assumem obtém
mais resultado financeiro, e menos dor de cabeça
no convívio empresarial. Ele vive mais
e melhor! Mas então porque a maioria tem
problemas com o tema, ou não sabem evitar
conflitos? Por uma razão básica:
lócus interno e externo. Isto vem com a
personalidade. Alguns têm de fato mais facilidade
de convívio, de não se estressar,
está nos genes.
As pessoas movidas a lócus
externo, colocam a culpa nos outros em geral.
Se ele esbarra num copo na quina de uma mesa,
e o copo cai, derramando líquido por todo
lado, ele se inerva, e automaticamente sua personalidade,
seu caráter, seu jeitão começa
agir. Instantaneamente, e muitas vezes inconscientemente.
O lócus externo neste instante briga ou
fala em voz alta ou ao menos pensa: “ quem
foi o imbecil que deixou este copo justo na beira
da mesa? Tinha mesmo que alguém esbarrar
nele! Já o lócus interno automaticamente
pensa: “ Puxa, como sou desastrado!”
Viram a diferença? Os que não acreditam
em psicologia crêem que em situações
como esta e uma situação mais importante,
como um erro grave, a pessoa age de modo distinto.
Engano: as pessoas agem assim quando erram numa
cirurgia, num erro técnico mexendo num
aparelho da NASA, atendendo a um cliente na padaria,
ou em casa, consertando um liquidificador, deixando
cair uma panela. Pessoas agem como elas foram
criadas, como sua personalidade foi moldada. Aliás
sua mente se tornou como ela é hoje, basicamente,
dos 0 aos 7 anos de idade, na primeira infância,
com mais um pouco de mudanças até
os 21 anos. Depois disto: “pau que nasce
torto, morre torto”! Não concorda?
Convido-o a estudar psicologia, ou conversar com
um psicólogo, terapeuta, psiquiatra. Isto
é estudado de maneira cientifica há
mais de 100 anos. Mas então não
tem como eu mudar o estilo de um funcionário,
sócio? Ou o meu mesmo? Sim, existe, mas
foge ao contexto deste artigo. Num próximo,
poderemos abordar o tema: mudando a personalidade.
O indivíduo que tem lócus
externo credita ao mundo os problemas que o afetam.
Ele sabe que tem uma nuvem preta sobre ele, e
crê que a culpa é o destino, os astros,
os deuses. O mundo está contra ele, o governo,
o chefe, os funcionários; ele sempre arruma
desculpa para um erro cometido, sempre dando explicações.
Ele não admite seu erro, nem em casa, no
carro. Pedir desculpa é algo infrequente.
Ele está certo sempre! Você conhece
alguém assim? Pois é...se você
for humano, deve conhecer muitos, talvez você
seja um. Se tem certeza de que não é
um, provavelmente você é lócus
externo! Este somente admitirá que é
lócus externo quando fizer um exame de
consciência ou terapia, ou passar por algo
revelador, como dia Irvin Yalom. Raramente ele
perceberá sua conduta frente aos conflitos,
sendo um lócus externo. Aliás, lócus
externo não necessariamente é alguém
arrogante, pedante, chato, sadim. Mas estes últimos
em gral morrem sem saber que são arrogantes,
mesmo quando lhes é dito que são,
sua personalidade não os permite captar
a mensagem. Ele de fato não sente que é
assim, e não está brincando ou sendo
ignorante. Sua maneira de ser não o faz
acreditar que assim ele é. Alguns nem fazem
por mal!
Os conflitos desta forma surgem,
exatamente porque existem indivíduos muito
mais lócus externo do que interno no mundo,
algo como 80%. As pessoas então tendem
a achar um culpado e isto gera conflito. Ao passo
que deveriam entender o que ocorreu, quem errou,
se é quem realmente errou, e não
achar apenas culpado, mas o responsável.
No contexto geral a responsabilidade por um erro
de um funcionário é sempre do dono
do negócio. A culpa do erro pode ter sido
do funcionário, mas a responsabilidade
é do dono, gerente ou diretor. Se os erros
são comuns e repetitivos, os funcionários
foram treinados suficientemente ? Você sabia
que os colaboradores, todos, sem exceção,
do faxineiro, copeiro, atendente, secretária,
veterinário e dono devem ser treinados
pelo menos três vezes por ano enquanto durar
o negócio? Quantas vezes sua empresa treinou
seus colaboradores em resolução
de conflitos? Percebi nos cursos que muitos donos
de negócio menosprezam a importância
dos conflitos em seus negócios pequenos.
É como se na clínica ou petshop
onde trabalham 5 pessoas, os conflitos fossem
menos importantes do que os conflitos em uma indústria
onde trabalham 300 funcionários. Ele crê
que na clínica ou pequeno petshop, isto
se resolve, pois afinal são poucas pessoas
trabalhando juntas. Errado: ele deveria pensar
o oposto, numa microempresa, a saída de
um funcionário afeta muito mais o negócio
do que numa indústria. E o mais legal:
é mais fácil treinar pouca gente
do que grandes empresas!
Não existe mágica:
falta treinamento geral. O Brasil não treina
seus colaboradores de micro e pequenas empresas,
nem mesmo as médias. Treinamentos constantes
somente ocorrem em empresas multinacionais ou
de grande porte, pois são tantos trabalhando
juntos que o treinamento deles é condição
essencial para a empresa sobreviver.
È arriscado esperar que
o bom senso, a educação das pessoas,
o bom convívio entre gente que trabalha
no mesmo ambiente prevalece. É acreditar
em papai Noel! O bom senso para você nada
tem a ver com seu colega ao lado ou seu chefe!
Suas personalidades e experiência indicam
um tipo de atitude muitas vezes contrária
diametralmente uma da outra! Surgem os conflitos.
Se existe treino, os conflitos diminuem, e se
consegue dar resolução a eles de
forma satisfatória, sem mexer em caráter
das pessoas, sem ferir sentimentos. Percebe que
você leva para o lado pessoal quando tem
sua atenção chamada por um chefe?
Por que? Pois sua personalidade é assim,
e você nunca foi treinado para ser avaliado!
Você acaba criando um conflito.
Agora um recado para você,
dono de negócio: você quer brigar
constantemente com seus funcionários? Ficar
cobrando dia e noite algo que já percebeu
que não vem funcionando? Sempre culpando
alguém por algo não ocorrido, uma
meta , um resultado não alcançado?
Já pensou em começar a treinar a
você primeiro, e depois a seus colaboradores?
A única coisa que acontecerá, desde
que você não seja arrogante, é
que ao treinar todos, seu negócio vai melhorar,
e muito! Acredite, nossa equipe vem ajudando e
observando isto ocorrer muito nestes últimos
tempos! Comece a exercitar mais seu locus interno!
Faça um exercício diário:
da próxima vez que surgir um conflito,
um briga, discussão, tente observar-se
na hora ou depois da discussão, pense,
reflita: “usei mais lócus externo
ou interno neste tema”? Faça uma
reflexão profunda, peça ajuda a
alguém se for o caso, depois que os ânimos
esfriarem. Se tiver qualquer dúvida, não
hesite em contatar-nos: www.gioso.com.br.























