Empowerment: a entrega de poder a colaboradores
Quanto antes você começar a treinar a sua equipe e deixar as funções sob a responsabilidade delas, mais cedo vai ganhar muito dinheiroPor MARCO ANTONIO GIOSO
Ao “delegar”, o gestor pede a um colaborador que desempenhe certa tarefa para depois supervisionar a execução. Já “entregar” a função é mais do que isso. Significa deixar tudo por conta do colaborador, sem ficar em cima dele nem cobrá-lo ou supervisioná-lo. A mãe que entrega o filho aos cuidados do pai ou da avó e se sente tranquila, sem precisar ficar ligando o tempo todo para saber como andam as coisas, demonstra confiar na responsabilidade da pessoa à qual delegou a incumbência. Já a mãe que telefona o tempo todo, preocupada, apenas “delegou” a função de cuidar do filho. O mesmo se passa com os gestores donos de negócios. Se você confia, você entrega. Mas, para que isso aconteça, é preciso ter em mente a competência dos colaboradores e a personalidade do gestor.
Confiar mais Muitos gestores acham que somente eles sabem tocar a função. É o velho e falacioso ditado: “Se você quer que saia direito, faça você mesmo!” Trata-se de um raciocínio perigoso, muitas vezes relacionado à não percepção de que a falta de confiança nas pessoas - às vezes nem mesmo na própria mãe e em Jesus Cristo -, é um problema da mente de quem desconfia. É algo inconsciente, que vem desde a infância. Quando isso acontece, o recomendado é o gestor trabalhar para resolver esse desvio, relaxar mais e entender que existe vida inteligente fora do cérebro dele.
Treinar mais O outro lado da questão é o do colaborador que não possui competência para exercer algumas tarefas e que, por isso, elas não lhe são delegadas ou entregues. Para que isso fosse possível, seria preciso treinar o colaborador. Mas, em muitas micro-empresas, o treinamento é pouco praticado. Dois motivos comuns dessa precariedade são o desconhecimento das técnicas e a famosa falta de verbas.
Empowerment
Empowerment significa dar poder. Nas organizações isso é feito a ponto de deixar à disposição do colaborador uma verba para, em determinadas situações, ser usada a critério dele. É o caso de um valor mensal que a secretária pode gastar para ajudar clientes ou para tratá-los bem, conforme julgar melhor. A verba poderá ser aproveitada, por exemplo, para comprar uma camisa e doá-la a um cliente, já que a dele ficou suja inadvertidamente, por um erro da secretária ou de qualquer outra pessoa da empresa.
Alta performance
Tente pensar em como você atua na sua própria empresa. Você delega bem? Confia de fato nos seus colaboradores? Ou fica cobrando a todo momento, aterrorizando-os? Entenda que não existe certo ou errado, mas maneiras mais ou menos eficientes e lucrativas de atuar. Percebo muito claramente a falta de treinamento de equipe nas empresas do setor pet. Uma equipe de verdade sabe onde quer chegar e quando. Na mente de cada colaborador, e não apenas na parede da empresa, há uma missão e metas a cumprir. Se os alvos não estiverem bem incorporados, em vez de uma equipe teremos um grupo de trabalho. E, se a empresa não estabelece metas e missão, teremos um bando! É improdutivo, frustrante e desgastante para ambas as partes quando os colaboradores não são treinados e o gestor exige deles o que não têm para oferecer. Cansei de ver isso acontecer nas empresas. Hoje digo: faça um projeto, um plano completo de treinamento dos seus funcionários. Não restrinja o treino apenas à parte técnica. É verdade que ela é essencial, mas é importante também que o atendimento de excelência aos clientes e a capacidade de gestão sejam treinados.
Comece já
Lembre-se: uma equipe de alta performance leva de cinco a sete anos para se formar. Quanto antes você começar, mais cedo vai ganhar muito dinheiro. Pense nisso!
Marco Antronio Gioso
Professor da FMVZ-USP
www.gioso.com.br























